MADRUGADA DE SONHOS
Antonio Carlos Machado
A tarde morna lhe aguçava a idéia
e o sol se pondo incendeia além.
Uma rolinha que voltava ao ninho,
lhe traz saudades nem sabe de quem.
Fica pensando como foi a vida.
Aparta o bem dos males que passou.
Floreia as teclas da cordeona velha,
masca o plheiro que já se apagou.
Os pés cansados já não calçam botas
e o seu "ruano" perdeu nos caminhos.
A busca louca da felicidade
em vez de flores, lhe deixou espinhos.
A noite cai e lhe convida o sono.
Um gole d`água pega na cacimba,
e já sentindo o avançar dos anos,
a passos lerdos se vai à tarimba.
Um galo canta anunciando a aurora,
renova a sina de esperar o nada.
E se o melhor da vida é o sonho,
que volte logo outra madrugada.
Santa Maria-RGS
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
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